Pessimismo,
ansiedade ou experiência, o fato é que o agricultor cearense está
preocupado. A irregularidade de chuvas e a perda de parte do plantio já
configuram uma previsão do homem do campo: "o inverno neste ano vai ser
fraco". Em Limoeiro do Norte, plantações de milho já foram perdidas.
Onde
o sabugo não ficou nanico foi a própria planta que nem cresceu. Em
Quixeramobim já se fala em decretar situação de emergência. O IBGE deve
divulgar na primeira semana de abril o balanço mensal para a safra
agrícola de 2012. A estimativa de produção já sofreu um recuo entre
dezembro e fevereiro, mas ainda há chances de avanço especialmente na
produção de feijão de corda. A Secretaria do Desenvolvimento Agrário
(SDA) considera cedo para falar em prejuízo da safra.
Ver na
televisão o tanto de chuva que tem caído em Fortaleza, enquanto só pinga
no Interior tem causado desalento a muito agricultor do regime de
sequeiro. "Cadê a chuva" é a frase em uníssono de muita gente. Em
Limoeiro passa a maior parte do dia com céu nublado. "Mas chuva que é
bom...", retruca Ananias Damasceno, que planta feijão e milho. Passado
um mês e meio do início oficial da estação chuvosa no Ceará, o
agricultor João de Sousa Lima ficou em desalento porque na semana do dia
de São José (19 de março) precisou carregar baldes de água para sua
plantação de milho e de feijão. "Mas sem ter muita água não deu muito
certo não. Eu já arranquei milho murcho, já perdido, plantei de novo,
mas tô vendo que essas plantinhas vão ficar na minha cintura", afirma o
agricultor. Outro João, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de
Limoeiro, avalia que em outras áreas também já há prejuízo porque as
chuvas estão irregulares. Na região do Cariri há vários hectares de
terra em fase de replantio.
A expectativa da SDA é que a nova
colheita já seja bem melhor que a do primeiro trimestre. "As chuvas
estão irregulares, mas o agricultor tem que aguardar mais um pouco,
ainda estamos no mês de março. Se melhorar em chuvas entre este fim de
março até início de maio, teremos garantia de safra", afirma Itamar
Lemos, coordenador de Agricultura Familiar da SDA. Ele considera
precipitado que os Municípios já tenham que falar em situação de
emergência, pois ainda que chova pouco estão em campo outros projetos de
convivência com o semiárido.
Diário do Nordeste On Line