Crianças carregaram cruzes nesta terça-feira (3) pelas ruas de Fortaleza,
em protesto do dia de enfrentamento à situação de crianças e
adolescentes que vivem nas ruas. As cruzes de madeira carregadas pelas
crianças na passeata simbolizavam as cruzes que as crianças moradoras de
rua precisam carregar todos os dias, como a violência, a indiferença da
sociedade e a fome.
Quase 600 pessoas participaram, entre elas, o educador social Josué
Silva, que chegou a viver nas ruas entre oito e 11 anos de idade. “Um
educador me ajudou a sair da situação de moradia na rua. Eu também estou
ajudando outras crianças que estão morando nas ruas e eu estou podendo
ajudá-las”, afirmou.
O governo não sabe informar quantas crianças e adolescentes moram nas
ruas do Brasil. Em fortaleza, o único dado é de uma pesquisa feita há
dois anos por uma Organização Não Governamental (ONG). O número de
crianças nas ruas chegava a quase 200.
A campanha
A tarde desta terça foi marcada por uma manifestação já realizada há
sete anos pela campanha nacional “criança não é de rua”. “O parlamento
brasileiro, em todos os seus níveis, os gestores públicos, têm de alocar
orçamentos para que políticas públicas sejam direcionadas às famílias
desses meninos”, defendeu o coordenador da campanha, Adriano Ribeiro.
Em Fortaleza e em outras 15 capitais brasileiras este mesmo ato foi
repetido. As cruzes foram deixadas em frente às assembleias legislativas
para protestar contra a ausência de políticas públicas voltadas para as
crianças de rua. Um pedido ao legislativo para priorizar estas crianças
no orçamento público.
Assembleia
Na Assembleia Legislativa do Ceará,
os coordenadores da campanha participaram de uma audiência pública com a
comissão de direitos humanos, momento em que foi lançado o observatório
nacional da campanha, com intuito de levantar dados.
Segundo o secretário executivo nacional da campanha, Manoel Torquato,
esses dados vão servir como subsídio para políticas públicas. “No
sentido de captar os dados, sistematizar, analisar e gerar conhecimento
capaz de suscitar o melhor atendimento para a população”, explicou.
A presidente da comissão de direitos humanos da assembleia, Eliane
Novais (PSB), informou que o legislativo estadual vai fortalecer e
receber essas informações. “Nós vamos enviar ao governador do estado do
Ceará para que a gente comece a fortalecer essa política, tenha
compromisso”, acrescentou.
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